Nutrição de Precisão:4 Razões Pelas Quais a Tua Alimentação Deve Ser Tão Única Como tu

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Por Equipa Viome • Leitura de 9 min

Nutrição de Precisão: 4 Razões Pelas Quais a Tua Alimentação Deve Ser Tão Única Como Tu

Já alguma vez se questionou porque é que uma dieta que resulta perfeitamente para um amigo não funciona consigo? Ou porque é que algumas pessoas conseguem consumir determinados alimentos sem qualquer problema, enquanto outras não conseguem? A resposta está naquilo que os cientistas designam por “Nutrição 2.0”, uma abordagem revolucionária à nutrição personalizada, baseada na sua biologia única.[1]

O problema das dietas iguais para todos

Pense na última vez que procurou aconselhamento nutricional. Provavelmente encontrou informação contraditória sobre se determinados alimentos são “bons” ou “maus” para si. Por exemplo:

Alguns estudos indicam que beber sumo de fruta diariamente aumenta o risco de cancro, enquanto outros defendem que é saudável[2]
Os produtos lácteos têm sido associados a taxas mais elevadas e mais baixas de determinadas doenças[3]
A carne vermelha é elogiada por alguns investigadores como fonte essencial de nutrientes, enquanto outros alertam para os seus riscos[4]
Até algo tão básico como as gorduras saturadas continua a ser motivo de controvérsia na investigação médica[5]

Porquê tanta confusão? Porque o aconselhamento nutricional tradicional (chamemos-lhe Nutrição 1.0) trata todas as pessoas da mesma forma e é inadequado para responder à sua biologia e às suas preocupações de saúde específicas, por várias razões. Desde logo, baseia-se em médias obtidas a partir de estudos populacionais e não tem em conta a sua biologia individual, o seu estado de saúde atual ou os seus objetivos pessoais.

Você é único, e a sua alimentação também deveria ser

A ideia de que cada pessoa necessita de uma nutrição diferente não é nova, remonta a 1956, quando o Dr. Roger Williams introduziu o conceito de “individualidade bioquímica”. Ainda que os seres humanos partilhem 99,9% do seu ADN, essa pequena diferença de 0,1% torna cada um de nós único na forma como processamos alimentos e nutrientes. Pense nisto: se essa pequena diferença no ADN é suficiente para nos distinguir dos chimpanzés (com quem partilhamos 99% dos nossos genes), imagine o impacto que tem nas nossas necessidades nutricionais individuais![6]

A nossa singularidade resulta da combinação da nossa genética, do nosso microbioma intestinal (os biliões de pequenos organismos que vivem no nosso sistema digestivo), do nosso estilo de vida e do nosso ambiente. É como se cada pessoa tivesse a sua própria “impressão digital” biológica, que determina o modo como processa diferentes alimentos e nutrientes.[7] Esta compreensão da individualidade bioquímica é o que está a impulsionar hoje a revolução da nutrição personalizada.

Chega a Nutrição 2.0: um plano nutricional verdadeiramente personalizado

A Nutrição 2.0 é diferente, trata-se de uma nova abordagem à ciência da nutrição. Em vez de recomendações genéricas como “coma mais fibra” ou “reduza o açúcar”, utiliza tecnologia avançada para analisar a sua biologia única e criar recomendações personalizadas.[8] Mais especificamente, utiliza os seus dados moleculares (química) e algoritmos avançados (matemática) para calcular a nutrição ideal para si, individualmente.[9][10]

O objetivo da Nutrição 2.0 é compreender os processos moleculares específicos da sua biologia, para que a sua nutrição possa ser calculada de forma a manter funções saudáveis em todo o seu organismo. As nossas recomendações nutricionais, geradas por inteligência artificial, são altamente personalizadas e concebidas à medida da sua biologia. Esta abordagem é radicalmente diferente de dietas iguais para todos, como a cetogénica ou a paleolítica.

Eis como funciona:

As principais características da plataforma Nutrição 2.0 são:

É 100% orientada por dados e objetiva (química + matemática). Algoritmos avançados de inteligência artificial analisam os seus dados biológicos para criar recomendações especificamente concebidas para si. Não existe intervenção humana (e, portanto, não existe enviesamento humano) em todo o processo, desde o momento em que as amostras entram no laboratório até à entrega dos resultados e recomendações ao utilizador.

É altamente personalizada (começa pela sua biologia). Através da análise de amostras do seu organismo (fezes, sangue e saliva), os cientistas conseguem observar exatamente como o seu corpo e o seu microbioma intestinal processam diferentes alimentos. Isto significa que existem tantas dietas quantos utilizadores. Não existem dietas da moda, e prioriza-se sempre a recomendação personalizada em detrimento da genérica (como “coma mais fibra” ou “reduza o consumo de açúcar”).

É um processo de aprendizagem e melhoria contínuas. À medida que mais pessoas utilizam o sistema e mais dados são recolhidos, as recomendações tornam-se ainda mais precisas. Os dados da plataforma continuam a aperfeiçoar os algoritmos, o que significa que a sua precisão melhora todos os dias.

O seu objetivo é ajudá-lo a viver uma vida longa e saudável. Como abordagem proativa, uma estratégia de nutrição personalizada visa idealmente apoiar a longevidade e promover um envelhecimento saudável.

O seu microbioma desempenha um papel essencial na forma como o seu organismo absorve nutrientes

Investigação científica recente revelou algo surpreendente: no que diz respeito ao modo como os alimentos afetam a sua saúde, o seu microbioma (os biliões de microrganismos que vivem no seu sistema digestivo) desempenha um papel mais determinante do que os seus genes. Um extenso estudo demonstra que até gémeos idênticos podem responder de forma diferente aos mesmos alimentos, comprovando que a genética, por si só, não determina o modo como os alimentos nos afetam.[11]

O seu microbioma:

Influencia a forma como digere os alimentos
Converte componentes alimentares em substâncias benéficas ou nocivas
Afeta o seu sistema imunitário
Tem impacto no seu metabolismo
Influencia até o seu humor e a função cerebral

A nutrição personalizada resulta, de facto?

Estudos científicos têm demonstrado resultados promissores relativamente a esta abordagem personalizada:

Saúde digestiva: pessoas com problemas digestivos registaram uma melhoria de 40 a 50% na sua saúde após seguirem recomendações de nutrição personalizada durante cerca de 7 meses.[12]

Saúde mental: os estudos mostraram melhorias significativas no humor e no bem-estar.[13] Um estudo revelou uma melhoria de quase 17% nos níveis de ansiedade. Outro estudo demonstrou uma melhoria de 23% nos níveis de tristeza. As pessoas que seguiram as recomendações personalizadas apresentaram resultados consideravelmente melhores do que aquelas que não o fizeram.

O futuro da nutrição é personalizado

A Nutrição 2.0 representa uma mudança fundamental na forma como pensamos sobre alimentação. Em vez de perguntar “Este alimento é saudável?”, podemos agora perguntar “Este alimento é saudável para MIM?”. Esta abordagem:

Trata cada alimento como um conjunto de nutrientes que interagem com a sua biologia única
Utiliza tecnologia avançada para compreender como O SEU organismo processa diferentes alimentos
Cria recomendações verdadeiramente personalizadas, baseadas em dados científicos
Continua a melhorar à medida que mais investigação é realizada e mais dados são recolhidos

Esta não é apenas mais uma tendência dietética, é uma abordagem à nutrição cientificamente validada, que reconhece e respeita a sua singularidade biológica. À medida que a investigação avança e a tecnologia evolui, a abordagem personalizada da Viome à nutrição tornar-se-á o novo padrão para a manutenção da saúde.

Referências

  1. J. Connell, R. Toma, C. Ho, N. Shen, P. Moura, Y. Cai, D. Tanton, G. Banavar, and M. Vuyisich, Biorxiv 2021.04.24.441290 (2021).
  2. C. Julian, N. Shen, M. Molusky, L. Hu, V. Gopu, A. Gorakshakar, E. Patridge, G. Antoine, J. Connell, H. Keiser, U. Naidoo, M. Vuyisich, and G. Banavar, MedRxiv 2023.04.18.23288750 (2023).
  3. E. Chazelas, B. Srour, E. Desmetz, E. Kesse-Guyot, C. Julia, V. Deschamps, N. Druesne-Pecollo, P. Galan, S. Hercberg, P. Latino-Martel, M. Deschasaux, and M. Touvier, Bmj 366, l2408 (2019).
  4. T. A. Khan, L. Chiavaroli, A. Zurbau, and J. L. Sievenpiper, Eur J Clin Nutr 73, 1556 (2019).
  5. R. Clemens, A. Drewnowski, M. G. Ferruzzi, C. D. Toner, and D. Welland, Adv Nutrition Int Rev J 6, 236S (2015).
  6. G. E. Fraser, K. Jaceldo-Siegl, M. Orlich, A. Mashchak, R. Sirirat, and S. Knutsen, Int J Epidemiol 49, 1526 (2020).
  7. M. Dehghan, A. Mente, S. Rangarajan, P. Sheridan, V. Mohan, R. Iqbal, R. Gupta, S. Lear, E. Wentzel-Viljoen, A. Avezum, P. Lopez-Jaramillo, P. Mony, R. P. Varma, R. Kumar, J. Chifamba, K. F. Alhabib, N. Mohammadifard, A. Oguz, F. Lanas, D. Rozanska, K. B. Bostrom, K. Yusoff, L. P. Tsolkile, A. Dans, A. Yusufali, A. Orlandini, P. Poirier, R. Khatib, B. Hu, L. Wei, L. Yin, A. Deeraili, K. Yeates, R. Yusuf, N. Ismail, D. Mozaffarian, K. Teo, S. S. Anand, and S. Yusuf, Lancet 392, 2288 (2018).
  8. B. C. Melnik, Nestlé Nutrition Inst Work Ser 67, 131 (2011).
  9. D. J. Ströher, M. F. de Oliveira, P. Martinez-Oliveira, B. C. Pilar, M. D. P. Cattelan, E. Rodrigues, K. Bertolin, P. B. D. Gonçalves, J. da C. E. Piccoli, and V. Manfredini, J Med Food 23, 689 (2020).
  10. T. Tholstrup, C. Ehnholm, M. Jauhiainen, M. Petersen, C.-E. Høy, P. Lund, and B. Sandström, Am J Clin Nutrition 79, 564 (2004).
  11. A. Astrup, F. Magkos, D. M. Bier, J. T. Brenna, M. C. de O. Otto, J. O. Hill, J. C. King, A. Mente, J. M. Ordovas, J. S. Volek, S. Yusuf, and R. M. Krauss, J. Am. Coll. Cardiol. 76, 844 (2020).
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