Por Lisa Shomo, Head of Community • 6 min de leitura

Brat Summer saiu, Very Demure entrou

À medida que as temperaturas descem, os dias ficam mais curtos e a estética de festa do trend “Brat Summer” vai ficando para trás.
Quando Jools Lebron (@joolieannie) declarou, “You see how I do my makeup for work? Very demure. Very mindful,” no seu vídeo no TikTok, ela abriu caminho para o próximo movimento viral — em oposição ao trend “brat”, mais exagerado, cheio de brilho e despreocupado — mesmo que o “very demure very mindful” venha com uma piscadela marota. “Here’s your reality check, diva,” acrescentou Jools. “What’s the name you’d like me to make it out to?”
A Jools inspirou uma onda gigante (mais tipo um tsunami) de comentários, likes e vídeos a usar a frase que ela cunhou para descrever tudo: desde treinar a ler livros, arranjar o cabelo, beber água e fazer maquilhagem.
Mas o que significa Very Demure, Very Mindful?
No seu vídeo, a Jools fala sobre aparecer no trabalho de forma apropriada, com cabelo, maquilhagem e outfit alinhados com a forma como se apresentou quando foi à entrevista para o emprego.
Mas acrescenta que é “very mindful” ao fazê-lo. A qualidade de demure é reservada, modesta e tímida no comportamento e também na roupa. A Jools afirma que é conscientemente (mindfully) demure na forma como se veste, na aparência e no comportamento. Com o conceito de ser mindful, muitos hábitos, tendências e práticas seguem este ideal como base para uma saúde melhor.

O que é Mindfulness?

Com base no Budismo Zen, mindfulness é simplesmente a qualidade ou estado de estar consciente ou atento(a) a algo; e, para atingir esse estado, focas a tua atenção em algo no momento presente. A popularidade das práticas de mindfulness aumentou em resposta à pandemia recente e ao aumento do ruído online e nas redes sociais, que fez com que muitas pessoas pelo mundo se sentissem desfocadas, ansiosas e até infelizes. Tem-se dado mais importância a abrandar, recentrar, fazer detox digital e tornar-se mais consciente do próprio corpo e do ambiente.
As práticas de mindfulness ajudam ao desviar o foco de estímulos que te stressam ou distraem da realidade e ao colocá-lo no que está a acontecer contigo no momento presente.
Há bónus extra e benefícios para a saúde com práticas de mindfulness, incluindo:
  • Reduzir níveis de stress
  • Incentivar uma digestão mais saudável
  • Aliviar sentimentos de ansiedade e tristeza
  • Instilar uma sensação de bem‑estar
  • Reduzir fadiga
  • Aumentar a autoconsciência: como te sentes mental e fisicamente
  • Abrandar a velocidade a que o teu cérebro envelhece biologicamente
  • Melhorar a saúde cognitiva
  • Ajudar na gestão da dor
  • Melhorar a qualidade de vida

Quatro formas simples de incorporar mindfulness no teu dia a dia

1. Alimentação consciente (Mindful Eating)

Como fazer: Come as tuas refeições sem distrações como TV ou telemóvel. Foca-te no sabor, textura e aroma da comida. Repara na cor, forma e apresentação. Mastiga devagar e saboreia cada dentada. Tem consciência da nutrição que estás a consumir e de como isso vai ajudar a fortalecer o teu corpo, microbioma e células para uma saúde mais ideal.
Porque funciona: A alimentação consciente incentiva uma digestão melhor e mais suave, ajuda a reduzir excessos e pode melhorar a experiência geral de comer. Usar práticas de alimentação consciente é eficaz para apoiar hábitos alimentares mais saudáveis e cultivar uma relação saudável com a comida.[1][2]

2. Respiração consciente (Mindful Breathing)

Como fazer: Foca-te apenas na tua respiração por alguns momentos ao longo do dia. Inspira profundamente pelo nariz, segura por um segundo e expira lentamente pela boca. Presta atenção à sensação do ar a encher os pulmões e depois a sair do teu corpo.
Porque funciona: A respiração consciente ajuda a acalmar a mente, reduz stress e “ruído” e traz-te de volta ao momento presente. Técnicas de respiração (como esta aqui) que se focam em estar presente e intencional em cada respiração mostraram melhorar a tua capacidade de foco e aumentar significativamente a capacidade cognitiva.[3]

3. Caminhada consciente (Mindful Walking)

Como fazer: Ao caminhar para o trabalho, fazer recados ou dar um passeio, tenta estar totalmente presente. Repara na sensação dos pés no chão, no ritmo dos passos e nas imagens e sons à tua volta — especialmente se estiveres ao ar livre, na natureza. Podes combinar respiração consciente e caminhada ao mesmo tempo para aumentar os benefícios.
Porque funciona: Caminhar de forma consciente é uma forma simples de saíres da tua cabeça e mudares a atenção para mexer o corpo e pôr o sangue a circular. Ao notares e te ligares ao que te rodeia, podes relaxar, reduzir estímulos e limpar a mente.[4] Caminhar (especialmente após uma refeição) também é excelente para apoiar uma digestão saudável e a resposta do açúcar no sangue.

4. Escuta consciente (Mindful Listening)

Como fazer: Ao conversar com um amigo, familiar ou até um novo conhecido, foca-te totalmente em quem está a falar. Tenta não permitir que estímulos externos te distraiam da conversa. Apenas ouve — e não tentes formular uma resposta enquanto estás a ouvir. Tira um momento para organizar os teus pensamentos antes de responderes e mantém-te presente. Presta atenção às palavras, ao tom e à linguagem corporal da pessoa.
Porque funciona: A escuta consciente melhora a comunicação, fortalece relações e ajuda-te a manter-te ancorado(a) no presente.[5]

A tendência Very Demure, Very Mindful é para ti?

Podes usar algumas destas técnicas de mindfulness para te manteres mais consistentemente ancorado(a) no momento presente e menos preso(a) a pensamentos, memórias e tarefas que te causam stress continuamente, dia após dia. Ou podes simplesmente adotar esta nova filosofia para seres mais demure e mindful ao escolheres o outfit para o trabalho. De qualquer forma, esta nova tendência viral pode ser uma experiência positiva para ti e para o teu bem‑estar mental e físico.

Referências

  1. Cherpak CE. (2019). Integr Med (Encinitas). 2019 Aug;18(4):48-53. PMID: 32549835; PMCID: PMC7219460.
  2. Kristeller, J. L., & Wolever, R. Q. (2011). Eating Disorders, 19(1), 49-61
  3. Zeidan, F., Johnson, S. K., Diamond, B. J., David, Z., & Goolkasian, P. (2010). Consciousness and Cognition, 19(2), 597-605.
  4. Gao R, Tao Y, Zhou C, Li J, Wang X, Chen L, Li F, Guo L. (2019). Scand J Gastroenterol. 2019 Feb;54(2):169-177. doi: 10.1080/00365521.2019.1568544. Epub 2019 Mar 7. PMID: 30843436.
  5. Kramer, U., Pascual-Leone, A., Berthoud, L., de Roten, Y., & Despland, J. N. (2010). Journal of Psychotherapy Integration, 20(4), 307-328.
Elaborado por Lisa Shomo. Publicação original em www.viome.com.

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